This is just a modern rock song – Belle and Sebastian

Sabe aquela música que estava com você desde muito tempo e você não dava o mínimo valor? E de repente você percebe que putaquepariu como vou fazer pra parar de ouvir? Então.

 

Sabe aquela música que está com você desde sabe-se-lá-quando e você não dava o mínimo valor? E de repente você percebe que… putaquepariu como vou fazer pra parar de ouvir? Então.
É, eu to preenchendo espaço com música (boa) porque não tenho saco pra escrever hoje, e preciso compartilhar. Ouve aí, enquanto eu fico aqui chorando por não estar em Paraty graças à uma crise de enxaqueca mal remediada.


Ela:
Acho que você entendeu errado, somos bons amigos.
Eu gosto bastante de você. Acho você bonito, até me sinto atraída, mas não penso em um relacionamento sério com você. E sabe, se fôssemos ter alguma coisa tinha que ser sério. Você não é pra ficar, pegar e só, tem que ser sério.  E não quero estragar nossa amizade. Sem contar que a gente tem umas diferenças grandes e eu não sei se vou conseguir lidar com isso.
Às vezes eu tenho preguiça da vida toda. Da minha vida. Não quero te envolver nisso. Não quero ter preguiça de você, não quero que você tenha que conviver com meus problemas comportamentais, com meu stress ou com qualquer outra coisa.
Eu espero que possamos continuar amigos como sempre.
Se for pra acontecer, acontece.

Ele:
Ela me ama, tenho certeza. Só não quis admitir.

E é quase sempre assim.
Muitas vezes o inverso.

às vezes é necessário entender que Ela(ou Ele) NÃO te ama.

Ela erra quando dá voltas no mundo pra falar o não. Ele erra tentando ver coisa onde não tem. E aí,  blábláblá-vamos-continuar-amigos não funciona.


A vó era casada com o vô. Do casamento vieram três filhos, duas loironas de olhos claros  e (meu) pai. Depois de um tempo o casamento começou a dar problemas, divórcio veio. Acontece que no meio disso aí a vó acabou com uma certa raiva do vô, e, principalmente, da nova mulher do vô. As loironas de olhos claros foram ficando distantes do pai (seja por influencia da vó, ou não).  E o vô, também, não tentou forçar nenhum relacionamento saudável com os filhos. Os anos passaram e as loironas, que tem temperamentos bem parecidos mas não combinam mais, também se afastaram. Não só o afastamento natural que a vida de gente-grande-com-família traz, talvez tenha mágoa, raiva, inveja ou ciúmes no meio, e o resultado disso são brigas de jovens adolescentes sendo protagonizadas por duas mulheres adultas. E a vó acaba no meio das brigas, às vezes. Outras vezes as brigas são com ela.
E assim é parentaiada por parte do pai.

Aí um dia minha vó ficou doente(um tumor que resolveu passear por aí). Ela vai bem. Não que ela esteja andando por aí saltitante de felicidade, sorrindo e cantando, mas ela não reclama de dor, não fica choramingando o tempo todo e, principalmente, tá perdendo aquela cara de doente (aquela palidez e envelhecimento instantâneo que doença e hospital proporciona). Acho isso bom pra todo mundo. Ela não passa aquela imagem de “to morrendo” pra quem vai visitar, quem vai visitar fala com ela sem aquele ar “coitada, ela tá morrendo”, e com isso ela ganha animo pra continuar lutando. Lógico que ela não é de ferro. Ela tem medo, e bastante. Toda a família tá com medo. 

Acho que por causa do medo algumas coisas estão mais simples, aparentemente. Não sei exatamente a história toda dos avós, e o porquê e da mágoa da raiva, mas sempre achei que desse pra se perdoar. Não precisa virar amigo-pra-sempre, nem forçar uma relação qualquer, mas achei que fazia tanto tempo, que, pelo menos, parar de fugir era uma boa (Lembro dos aniversários meus e de como era raro contar com a presença do avô E da avó). Mas com a avó adoentada algumas picuinhas parecem ter sido esquecidas (ou perdoadas), a vó ligou pro vô, o vô visitou a vó, as conversas entre eles parecem simpáticas e agradáveis, a vó não fica horas reclamando dele (pelo menos, todas as vezes que a vi não ouvi reclamações, e o nome dele só vinha pra conversa quando ela comentava que ligou pra ele ou algo do tipo). Ainda falta muito pros dois. Ela reclama menos dele, mas eu sei que reclama. Assim é com ele também. Mas agora eles decidiram caminhar pra um convívio agradável. Um passo por vez, mas estão caminhando pra isso. 

Nessa de ir no hospital dá pra perceber que acontece isso aos montes. É o medo de morrer. O medo de deixar uma pessoa que se ama partir (Não que a vó vai morrer, porque eu não acredito que isso vá acontecer agora) faz com que os perdões sejam mais fáceis. Ainda acho difícil entender porque se esperam esses momentos difíceis pra fazer o que se podia ter feito antes. Mas eu faço isso também.

Espero que as loironas que ainda brigam por nada aprendam com isso, sem precisar dar tchau pra ninguém.
Espero eu aprender com isso. Essa coisa de “não deixe pra amanhã o que se pode fazer hoje” vale também pro perdão, pra atenção que eu preciso dar pra quem merece, pr’aquele telefonema “só pra dar um oi” e pros pedidos de desculpas que eu devo por aí. E eu preciso aprender isso o quanto antes.


É ela

10Jun09

“É ELA! É ELA!

É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou — é ela!…
Eu a vi… minha fada aérea e pura,
A minha lavadeira na janela!

Dessas águas-furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas…
Eu a vejo e suspiro enamorado!

Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços!

Como dormia! que profundo sono!…
Tinha na mão o ferro do engomado…
Como roncava maviosa e pura!
Quase caí na rua desmaiado!

Afastei a janela, entrei medroso:
Palpitava-lhe o seio adormecido…
Fui beijá-la… roubei do seio dela
Um bilhete que estava ali metido…

Oh! De certo … (pensei) é doce página
Onde a alma derramou gentis amores!…
São versos dela… que amanhã decerto
Ela me enviará cheios de flores…

Trem de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua esposa,
Eu beijei-a a tremer de devaneio…

É ela! é ela! — repeti tremendo,
Mas cantou nesse instante uma coruja…
Abri cioso a página secreta…
Oh! meu Deus! era um rol de roupa suja!

Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às criancinhas,
Se achou-a assim mais bela… eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camisinhas!

É ela! é ela! meu amor, minh’alma,
A Laura, a Beatriz que o céu revela…
É ela! é ela! — murmurei tremendo,
E o eco ao longe suspirou — é ela!”
(Álvares de Azevedo)


19Mai09

achei simpático.


É engraçado como quem me conhece estranha minha habilidade de esquecer as coisas. Parece uma doença crônica que me faz sair de casa pensando sempre no que eu esqueci (porque sei que tem algo) e voltar pelo menos uma vez no dia para casa, mesmo já estando na metade do caminho para a aula. E tem também aquele trauma de sempre perder no jogo da memória! Então, resolvi fazer uma lista das coisas mais difíceis de lembrar e que eu sempre esqueço, pra saber se tem algum outro louco que também é assim e me faz me sentir menos louco! Aí vai:

Nomes de ruas e caminhos:
Não importa quantas vezes eu vá para um lugar, nem que seja minha casa, quando é para explicar para alguém eu erro. Uma vez quase fiz uma amiga entrar na contramão de uma avenida grande do lado da minha casa (porque somente o fato de uma avenida passar do lado da minha casa não quer dizer que eu conheça ou lembre dela, não é?). Nome de rua eu sei o da minha e olhe lá, precisam sempre ficar me lembrando qual avenida estamos.

Nomes de carro:
É super chato quando chegam aqueles caras e começam a falar comigo sobre a nova Ferrari Super-Ultra Charge F950 com motor V8 e trocentas cilindradas. Poha! Eu sou homem mas não curto carros, nem dirigir eu sei (mas vou aprender). E todos esses nomes pra mim parece grego. Só sei o nome dos mais econômicos e comuns (como o do meu pai, que é o… qual era mesmo?).

Aniversários:
Se você quer que eu lembre do seu aniversário, ponha no Orkut! Tem 365 dias no ano e a chance de eu lembrar do seu aniversário é quase nula. Não é falta de atenção com as pessoas, é só que minha cabeça não suporta tanta informação.

Nome de pessoas:
Isso normalmente pega meio mal, quando vem alguém “Oi Gustavo, quanto tempo? Lembra de mim?” e eu respondo “Lembro do seu rosto, mas não do seu nome!”. Parece que é meio desculpa, mas é verdade. Ainda mais na universidade, onde ninguém tem nome, só apelido. Pessoas com nomes estranhos e engraçados escapam hehehe, esses não tem como esquecer!

Tem muito mais coisas que eu esqueço com frequência; eu ía escrever aqui mas… esqueci.

(Gustavo)


te dou um TOC?

05Mai09

Aí que por esses dias vieram (sujeito indeterminado que atende por Ivan) reclamar que eu larguei o blog. Detesto admitir, mas é verdade. Tá que eu até tenho uma boa justificativa pra isso, mas ninguém está interessado mesmo. To com uns semi textos pra postar, mas como parte do meu processo de chatice atual, acho qualquer linha que eu escrevo uma grande bosta e resolvo que esse negócio de escrever é pra quem sabe, E EU NÃO SEI.

Enfim, só pra preencher o vazio, resolvi fazer o meme do @mysteriousman. Trata-se de relatar 5 loucurinhas e passar o meme para 5 pessoas. Como é sabido, estou chata, e como chata não passarei pra ninguém.

Confesso que até podia fazer uma daquelas listas com conteúdo cultural maravilhoso, tipo top 10 caras mais gostosos da música, mas tive preguiça. Vou fazer o meme porque gostei do título dele. é, eu sei, não são exatamente  TOCs mas quem liga?

5.postar no blog, só no chrome
Uso o Firefox pra tudo, menos pra postar aqui. Vai entender.

4.contar passos
Conto meus passos entre minha mesa e a impressora. Quando acordo, vou pro banheiro, contando quantos passos tem toda aquela distância absurdamente enorme. É idiota e completamente inútil, principalmente porque eu tenho memória curta e não sei se entre minha mesa e a impressora tem 10 ou 15 passos. Isso sem falar que EU NÃO SEI CONTAR. Não tenho muita certeza disso, porque contar passos é muito automático e eu não presto muita atenção, mas eu tenho a leve impressão de que depois do 79 eu sempre volto pro 70. Coisa de gente burra.

3. debates mentais
Não lembro onde vi o termo ‘ debate mental’, mas ele encaixa perfeitamente na coisa. É simples assim, eu arrumo brigas ENORMES só na minha cabeça. São discussões sobre os mais variados assuntos, com as mais variadas pessoas, só na minha cabeça, e nem sempre em momento adequado. Se é que existe momento adequado pra isso.

2. procurar semelhanças nas pessoas
Me divirto horrores tentando achar pessoas parecidas com desconhecidos escolhidos aleatoriamente. Funciona mais ou menos assim, to esperando o ônibus sentadinha no banco, ou no chão, aí olho pra um ser humano qualquer e fico tentando descobrir de quem ele é a cópia. Vale tudo, conhecido meu, desenho animado, animal… e a coisa começa a ficar meio louca quando eu coloco comida e música no meio. Mas sei lá, tem gente que tem cara de doritos, de muffin de canela, de cachorro-quente, de like a virgin, de where is my mind, de fluorescent adolescent, de last goodbye. Talvez essa história de gente parecida com música tenha algo a ver com uma outra mania de colocar trilha sonora na vida (na minha e na dos outros).

1. falar sozinha
Acho feio quem fala sozinho. Aí desenvolvi uma super técnica pra disfarçar minha loucura  eu falo com os objetos. Com computadores eu falo desde sempre, aí foi fácil começar a falar com livros, canetas, telefones, impressoras, colheres, panelas, embalagens de café malvadas que cortam meu dedo… Eu sei que é feio, e insano, e retardado, mas é mais forte que eu. Quando eu vejo estou brigando com monitor, mouse, óculos.

Até teria mais, mas tenho medo de começar a parecer pouco normal, sei lá.
e fica aqui uma quase-promessa de que eu vou sair da chatice e voltar a ter mais posts que o Gustavo por aqui :p


Nosso mundo[1]

01Mai09

Fazia algum tempo que não acontecia, e com razão. Acho que nesses tempos eu tentava evitar de sonhar. Mas aquele sonho veio, tão real, num momento nada ideal, e eu retornei ao passado…
Eu sempre quis saber da onde vem os sonhos e principalmente o que são os sonhos. Pode ser que eles nos mostram uma vontade nossa tão profunda que normalmente escondemos de nós mesmos, ou apenas mais um devaneio inconsciente (se é que há algum consciente). Não sei. E acho que nem os melhores conhecedores do corpo humano sequer chegam perto de explicar. A única coisa que sei é que aquele sonho veio, e não era minha vontade tê-lo, mas me mostrou algo que eu havia esquecido: o nosso poder enorme de imaginar o mundo que queremos, ao qual deveríamos pertencer (se é que já não é desse jeito e o mundo real é apenas uma amostra do que não queremos), o nosso mundo.

(Gustavo)


Paixão

24Abr09

Às vezes eu não entendo porque as pessoas se apaixonam. Principalmente naqueles períodos nos quais eu não consigo gostar muito de quase ninguém e fujo de qualquer relacionamento. Até que então surgem aquelas sensações estranhas que eu já havia há tempos esquecido, e volto a ver o mundo daquela forma diferente de quando estamos apaixonados. Os pássaros aprendem a cantar as mais belas canções, o sol sempre brilha e nos aquece gentilmente, as pessoas ficam mais simpáticas, e o mundo, enfim, gira, tudo parece um replay distorcido do passado. E aconteceu de novo, com todas as alegrias e decepções. Daquelas vezes que você larga tudo que tem e se arrisca; aí que eu penso que aqueles que reclamam que as pessoas tem medo de arriscar nunca passaram por isso. É tudo como aquela brincadeira de confiança que fazíamos com os amigos na infância de se jogar para trás esperando que o outro pegue: temos de ter certeza que o outro não nos deixará na mão. E eu caí.
Aí eu me lembro do porque nos apaixonamos: para ter alguém para nos levantar.

(Gustavo)


Antes de mais nada queria pedir desculpas por ter anunciado segunda-feira como dia de poesia e não ter postado em quase nenhuma delas (ou nenhuma). Juro que vou tentar ser mais regular. (Not!)
Eu andei olhando os meus poucos posts já escritos e me espantei com a quantidade de sentimentalismozinhos e resolvi escrever um post com um ar um pouco diferente. Aí pensei em postar sobre música, mas não tenho um gosto tão refinado como o da Marina. Nem gosto de Beatles (mesmo achando as músicas boas; é mesmo questão de histórico de situações traumáticas que levaram acidentalmente essa trilha sonora). Eis que hoje me veio a idéia, quando soube que alguns (pelo menos dois) físicos de plantão lêem meus posts, de falar sobre minha iniciação científica. Acho que interessa até aos que mais odeiam contas, então, se você é um desses, tente não parar de ler.
Tudo começou no finalzinho do ano passado. Fui não-sei-onde fazer não-sei-o-que com uma amiga minha ouvindo no caminho “Hoje eu ouvi dizer que tem um professor novo no instituto que pesquisa Astrofísica de Partículas.”. Nome bonito, é bom pra falar pros parentes. E fiquei com aquilo na cabeça, querendo saber do que se tratava. Até que, algumas semanas depois, eu me vi rodando pelos corredores do IFSC (Instituto de Física de São Carlos) procurando uma iniciação científica (pra quem não sabe, é um projeto de pesquisa que você faz ao mesmo tempo com a graduação). Fui em uma ou duas salas de professores até me deparar com um cartaz num dos corredores que dizia “Astrofísica de Partículas no IFSC”. Entrei na porta ao lado e nem sei como hoje já estou a alguns meses “trabalhando” com isso. Bem de leve, mas estou. Não é aquelas coisas de filme que eu vou pra um laboratório com varios béqueres com nitrogênio líquido borbulhando na água cada um com uma cor mais bizarra que a outra que podem explodir a qualquer momento, mas é bem legal.
A pesquisa tem a ver com um projeto na Argentina chamado projeto Auger, que estuda raios cósmicos que atingem a Terra. Primeiro de tudo: o que é um raio cósmico? É somente um nome geral pra uma partícula com alta energia que penetra grandes distâncias na nossa atmosfera. E quando os cientistas fodões foram estudar as energias deles viram que chegavam partículas com energias muito altas (cerca de 10^21 eV, pros físicos, e cerca de energia-pra-caraleo pros demais), coisa que nenhuma teoria de partícular consegue explicar. E vieram as perguntas: será um novo tipo de interação que acelera essas partículas? Ou apenas algum novo mecanismo? Bom, pra descobrir isso eles precisam saber de onde vêem esses raios cósmicos, e é aí que eu entro. Basicamente, eu tento descobrir da onde veio aquela partícula sabendo somente onde ela chegou (vendo a curva de probabilidade dos desvios angulares da partícula sob uma região com o campo magnético se comportando como no universo, pros físicos, e “Beijomeliga”, pros demais).
É isso, espero que niguém tenha começado a odiar Física depois disso.

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(Gustavo)