Análise

30maio08

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

* É que eu não sei o que postar. Ando total sem idéias. Minhas férias estão no fim. Por mim o congresso lá na Universidade duraria mais umas semanas. Mas não é o que acontece. Então passarei a postar com menos frequencia, o que deveria garantir melhor qualidade.

*Fernando Pessoa é meu poeta preferido.

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