Adormecida

07nov08

Quando menor eu era apaixonada perdidamente por bela adormecida. Tinha uma fita (é,  século passado, né?) com o desenho, da Disney, tudo muito lindo e maravilhoso.
Era meu maior lado menininha.
Sabia TODAS as falas, todas as cores, cada detalhe.
Tinha a princesa que não sabia que era princesa. Criada pelas fadas madrinhas. Uma hora ela picaria o dedo no fuso de uma roca e morreria. Mas as fadas, gente boníssimas que são, conseguiram dar aquele jeitinho e descolaram um sono comprido. Como todo conto de fadas, tinha o príicipe, de cavalo branco, espada, escuto e muita coragem. Ele aparecia com toda aquela paixão, matava a bruxa, que estava na forma de um dragão muitodahora, beija a princesa e vão todos ter seu Final Feliz.

E eu tenho certeza, assisti demais esse desenho. Passei uns bons anos naquele estado de “adormecida”.
Uma infância legal pra caramba como a minha me deixou mal acostumada e alguém, ALGUÉM deveria ter me avisdo que crescer era difícil. Passei um bom tempo achando que era tudo de boa. ADORMECI.
Porque, afinal, hora ou outra um príncipe apareceria no seu lindo cavalo branco, mataria a bruxa-dragão, e seriamos felizes pra sempre.
Grande engano.
Crescer é foda. Ter que assumir responsabilidades que você nem imaginava (não, mãe, eu não to grávida), descobrir que rugas de preocupação podem aparecer, que aquele Príncipe não é principe de verdade, e que aquele outro também não. Tudo muito difícil.
Mas aí que uma hora se acorda, e eu particularmente, acho que demorei pra acordar.
E então, quando eu realmente abri os olhos eu me vi, com 17 anos, iniciando um curso foda, numa faculdade foda,e realizando um sonho que eu levo, pelo menos, desde os 7 anos. E encontrei uma menina um tanto fragilizada com a distância, e com um medo fora do comum de TUDO.
A parte mais difícil de crescer foi ver que eu tinha poder de decisão. EU decido o que fazer da minha vida. Se, agora, eu decidir pegar uma mochila, enfiar umas roupas amarrotadas e ir passar uma temporada sem volta, vendendo artesanato numa praia qualquer, eu vou. Lógico, que eu tenho só dezessete anos e nem poderia ir de carro, dirigindo, pra poder dar mais emoção a cena acima. Mas eu poderia ir. Meu pai bateria o pé, minha mãe gritaria, meu irmão choraria e me trancariam em casa. Mas eles iam deixar a janela aberta pra eu pular. Eles fizeram a parte deles. Mas a decisão é só MINHA. E junto com a decisão, vem aquele monte de consequencias, e ninguém além de mim, deve ser responsável por elas.
Pode ser a parte mais difícil de crescer. Muito mais que perceber que um principe não vai ter cavalo branco, ou que ele vai ter que pegar um avião pra te ver, ou que ele nem vai chegar tão cedo, pq ele mora longe e está vindo a pé. Muito mais chato que ver que a bruxa é imortal e por mais que VOCÊ (pq o príncipe é mesmo um mole) jogue espadas nela e não morre. Ou que seu vestido na dança do final do filme vai ser rosa, e vc detesta rosa. Ser realmente responsável, e ser dona da sua vida é a parte mais difícil, e ninguém me tira essa certeza.
Mas, apesar de eu só ter falado do príncipe bocó, e da bruxa malvadona, crescer tem seus prazeres, e quem cresce sabe que a infancia é linda, mas que crescer também é. E ninguém vai me tirar a certeza de que a coisa mais linda de deixar de ser criança é exatamente o que mais nos faz sofres no começo. Porque NADA me parece mais bonito que tomar decisões, por masi difíceis que sejam, e depois de uma grande e impressionante batalha, colocar minha cabeça no travesseiro com um desafio pra resolver, ou a felicidade de te-lo superado, ou de ter engolido todos os sapos de um decisão errada. NADA me parece melhor que ser dona do próprio nariz, quebrar a cara, mas subir no salto (mesmo que eu não use salto) e tentar de novo, mesmo que o final seja o mesmo.

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4 Responses to “Adormecida”

  1. Ai, que bonito :~

    Cara, crescer é terrível.

    Acho que por isso que a faculdade é tipo a melhor fase da vida (a gente nega agora, entre trabalhos e provas mil, mas É). Pra contrabalançar o baque, sabe? Quer dizer, estamos crescendo e responsabilidades enormes vão engolindo a gente e tals, mas pelo menos nos encontramos no mundo. Fazemos amigos, estudamos coisas geniais e aprendemos a lidar com a nossa própria vida de maneira mais bacana, não só necessariamente mais adulta. Eu vejo o quanto mudei nesses três (quase quatro ô meu Deus) anos e pãts!, é coisa demais, mudei muito. Aprendi a encanar com coisas certas e desencanei de coisas que me deixavam griladíssima tempos atrás (não, mãe, eu não tô grávida também).

    Adorei seu post. :D

  2. Aii gente!

    crescer é foda. e principes viram sapos, e não o contrario! haeuiaehaeuiaehuiae

    =**

  3. quando eu conseguir fechar a minha boca eu volto pra comentar….

  4. Hahaha! Você não deveria ter lembrado da Bela Adormecida… agora eu vou passar o final de semana inteiro cantando “Foi você o sonho bonito que eu sonhei…”. Sessão nostalgia completa!


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