Mistérios [bem] do outro lado de mim

10abr09

Antes de mais nada queria pedir desculpas por ter anunciado segunda-feira como dia de poesia e não ter postado em quase nenhuma delas (ou nenhuma). Juro que vou tentar ser mais regular. (Not!)
Eu andei olhando os meus poucos posts já escritos e me espantei com a quantidade de sentimentalismozinhos e resolvi escrever um post com um ar um pouco diferente. Aí pensei em postar sobre música, mas não tenho um gosto tão refinado como o da Marina. Nem gosto de Beatles (mesmo achando as músicas boas; é mesmo questão de histórico de situações traumáticas que levaram acidentalmente essa trilha sonora). Eis que hoje me veio a idéia, quando soube que alguns (pelo menos dois) físicos de plantão lêem meus posts, de falar sobre minha iniciação científica. Acho que interessa até aos que mais odeiam contas, então, se você é um desses, tente não parar de ler.
Tudo começou no finalzinho do ano passado. Fui não-sei-onde fazer não-sei-o-que com uma amiga minha ouvindo no caminho “Hoje eu ouvi dizer que tem um professor novo no instituto que pesquisa Astrofísica de Partículas.”. Nome bonito, é bom pra falar pros parentes. E fiquei com aquilo na cabeça, querendo saber do que se tratava. Até que, algumas semanas depois, eu me vi rodando pelos corredores do IFSC (Instituto de Física de São Carlos) procurando uma iniciação científica (pra quem não sabe, é um projeto de pesquisa que você faz ao mesmo tempo com a graduação). Fui em uma ou duas salas de professores até me deparar com um cartaz num dos corredores que dizia “Astrofísica de Partículas no IFSC”. Entrei na porta ao lado e nem sei como hoje já estou a alguns meses “trabalhando” com isso. Bem de leve, mas estou. Não é aquelas coisas de filme que eu vou pra um laboratório com varios béqueres com nitrogênio líquido borbulhando na água cada um com uma cor mais bizarra que a outra que podem explodir a qualquer momento, mas é bem legal.
A pesquisa tem a ver com um projeto na Argentina chamado projeto Auger, que estuda raios cósmicos que atingem a Terra. Primeiro de tudo: o que é um raio cósmico? É somente um nome geral pra uma partícula com alta energia que penetra grandes distâncias na nossa atmosfera. E quando os cientistas fodões foram estudar as energias deles viram que chegavam partículas com energias muito altas (cerca de 10^21 eV, pros físicos, e cerca de energia-pra-caraleo pros demais), coisa que nenhuma teoria de partícular consegue explicar. E vieram as perguntas: será um novo tipo de interação que acelera essas partículas? Ou apenas algum novo mecanismo? Bom, pra descobrir isso eles precisam saber de onde vêem esses raios cósmicos, e é aí que eu entro. Basicamente, eu tento descobrir da onde veio aquela partícula sabendo somente onde ela chegou (vendo a curva de probabilidade dos desvios angulares da partícula sob uma região com o campo magnético se comportando como no universo, pros físicos, e “Beijomeliga”, pros demais).
É isso, espero que niguém tenha começado a odiar Física depois disso.

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(Gustavo)

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One Response to “Mistérios [bem] do outro lado de mim”

  1. 1 Sisa

    Oi, gatinha. Mandei pra você um beijo pelo Mysteriousman. Espero que tenha sido entregue. =)

    Continuarei te lendo aqui (e lendo o Gustavo também. Agrado do que o moço escreve), portanto, presente.

    Mas devo confessar que apesar da figura linda, “nemli” esse post. Chega de Física na minha vida.

    Beijinhos.


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