Sobre ser irmã

14ago09

Quinta-feira tinha tudo pra ser um dia comum. Até que vejo meu irmão na hora do almoço. O olho levemente roxo, e uma cara preocupada. Resumidamente: o tal do Leo (mudar nome pra que?) cuspiu nele, Eduardo não gostou e mandou parar. Leo, valentão que é, cuspiu de novo “viu, cuspi de novo?”. Eduardo emputecido tirou o boné do menino e jogou no chão, pisando em cima. Leo achando aquilo tudo um absurdo deu um soco no olho do Eduardo. Eduardo não revidou. (nada como ouvir a história contada com calma, o pisão no boné era empurrão antes.)

Primeiro queria comentar que eu acho o senhor Leo um grandissíssimo idiota (alguém que coloca fogo no cabelo de alguém e que sai cuspindo nos outros do nada não pode ser outra coisa). Segundo dizer que se eu fosse Eduardo não seria besta e o socaria também.

Mas o imporante da história é que ninguém me avisou que ser irmã mais velha doía assim.

Quando o Bola nasceu eu queria mesmo uma irmã. Achei até que amaria menos o bebê por ser um menininho. Bobeira. Quando eu vi a pequena criatura eu até esqueci que queria uma irmã.

Ser irmã mais velha doía porque eu tinha ciúmes dele. Me lembro de como fiquei mordida de ciuminho/invejinha quando ele ganhou um autorama. Meninas não ganham esses presentes legais. Eu queria tanto um daqueles e ele ganhou. Mas passou, visto que, eu podia brincar também. Também era chato quando íam em casa visitá-lo, ficavam todos em volta dele e de repente eu não era mais o centro das atenções. Eu, cinco anos, aprendendo a lidar com uma vida dura que viria, com ou sem irmão. Achava um enorme absurdo quando eu era culpada pelas artes que o Eduardo aprontava. Mas descobri que, as vezes, eu podia dividir a culpa das minhas artes com ele.

Mas esse tipo de ciúme vai embora. Porque vale muito mais a pena passar o tempo aprontando com o irmão do que ficar num canto enciumada. Com o tempo eu o amor pelo irmão cresceu. Eu cresci. Ele cresceu. E crescemos um bocado juntos. Com o tempo eu virei uma quase boa irmã.

Quando ele fica triste eu não me aguento e tento fazer todas as palhaçadas do mundo pra ver se ele sorri. Vê-lo triste é dolorido. Eu deveria acostumar que irmão mais novo é só irmão mais novo. Que eu não vou protege-lo de nada que tem por aí. Na verdade eu sei disso. 

Mas quando eu vi meu irmão com o olho levemente roxo eu nem quis saber das coisas que sabia. Quis bater no menino, e nada mais.

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6 Responses to “Sobre ser irmã”

  1. Ah, eu também queria um autorama!! E o apelido do meu irmão quando era bebê também era bola :D

    E que papo é esse de pôr fogo no cabelo?? o.O

    Concordo, é um tremendo idiota… :-/

  2. 2 Li Kurzlop

    Own que irmã linda que vc eh!!!

    =D

  3. 3 Siena

    Bateu no menino?
    Olha, seu irmão tem q aprender a se defender, tudo bem, mas apoio totalmente caso vc tenha ido dar umas bofetadas no idiotinha filho de pais mais idiotas ainda.
    Já dei um peteleco numa criança de 6 anos, eu com 14 ou 15 e minha irmãzinha com 4.O infeliz empurrou ela e ela acabou por arranhar o joelho e bater a cabeça no chão.
    Acudi minha irmãzinha e com ela no colo dei uma bronca e um empurrão no idiota da minha história.Ele falou q ia chamar a mãe dele, falei pra ele chamar q eu batia nela também.
    AMO criança, mas criança idiota desse jeito só tem é q levar petelecos.

  4. sei muito bem o que é esse amor de irmão por irmão. ainda mais o amor de irmão mais velho.

    a gente quer ser irmão, quer ser amigo, mas quer ser pai/mãe também.

  5. não sei como é amor de irmão mais velho… mas sei como é o ódio de irmão mais novo… ainda mais por irmãs mais velhas… mas não se preocupe… esse ódio é o mais próximo de amor que eu já vi!

  6. Minha mãe, adolescente, bateu em 3 meninos que bateram no meu tio, criança. O engraçado – ou trágico – é que uns 40 anos depois ela continua fazendo isso, defendendo o “menino”, hoje um homem irresponsável, das garras do mundo. Ou seja: na hora de dar aqueles tapas que dá vontade, dê. Mas ensine a ele a se impor, porque você não vai estar do lado dele pra sempre.

    Minha irmã também bateu num menino que batia no meu irmão. Meu irmão tinha uns 11, o menino tinha 15. Minha irmã de 25 pegou o menino na porta da escola, enfiou as 10 unhas (enormes) na cara dele e ia gritando “você gosta de bater em meninos mais novos? EU TAMBÉM!”, rs…

    Não cheguei a bater em ninguém por ele. Mas admito que quando ele começou a namorar a primeira menina, eu fiquei com o coração doendo, porque sabia que inevitavelmente em algum momento ele ia sofrer de amor. É assim, a gente prefere que seja com a gente do que com eles…


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