Sobre Ciência, Física e essas coisas…

19ago09

Aviso: O post é longo e sem figuras. Quer ler algo mais legal? Vá ler Alice no País das Maravilhas. Li uma edição da Martin Claret com ilustrações. É curto, tem figuras e de quebra você entende como é usar LSD.

Escolher a ciência já me faz um pouco diferente das pessoas normais com as quais convivi. Mas até aí tudo bem. Diferente, mesmo, fui por não escolher uma Ciência Aplicada. Dentro das Ciências Aplicadas você pode encontrar a Computação (que foi uma das minhas opções) e as engenharias. É quase natural encontrar quem opte pela Engenharia (qualquer uma delas). Mas escolher a Física não é lá muito normal. E isso sem comentar o óbvil: ser mulher e fazer física.

Pode até lhe parecer exagero. Mas devido a quantidade de olhares “WTF?” que recebi no meu período de vestibular quando eu respondia, pacientemente que “não, não é Educação Física. É F-Í-S-I-C-A” quase acreditei, mesmo, que eu fosse uma aberração da natureza.

Talvez meu comportamento não ajudasse, embora tenha sustentado apelidos de nerd e cdf uma boa parte da vida escolar, fui bem sociável e lá no Ensino Médio, que é quando as pessoas se interessam pela carreira que vc diz que vai seguir, fui até meio relapsa. E esse não é o perfil pré-determinado de quem vai, afinal, fazer uma faculdade de Física. Talvez até meu irmão seja melhor nisso que eu (coitado :p).  Nunca preenchi todas as características do estereotipo de físico-nerd, que as pessoas esperam, que muito parece com os personagens de The Big Bang Theory (e se for analisar, estou muito mais pra Penny).Você vai falar que é exagero de novo, mas é a mais pura verdade. Assim como geral espera encontrar apenas comunistas, revolucionários, grevistas, hippies ou drogados numa faculdade de Ciências Sociais, espera-se encontrar uma quantidade razoável de pessoas, no mínimo, excêntricas numa faculdade de Física. Não adianta é assim que as coisas funcionam mesmo. Mas divago.

Fato é, ao escolher a ciência você escolhe fazer uma série de questionamentos e procurar entender as respostas. Fazer ciência não significa ficar o dia todo em um laboratório, num jaleco branco, de óculos na cara, misturando substâncias a esmo num tubo de ensaio, como sugere a imagem que muitos fazem quando usada a palavra CIENTISTA. Assim como fazer física não significa apenas resolver uma porrada de exercícios com as formulinhas apresentadas no quadro pelo professor. A ciência é mais que isso.

Tive uma educação escolar boa, e quando esta falhava podia contar com a experiência, paciência e conhecimento dos meus pais. Aprendi desde pequena a questionar as coisas e querer entender como elas realmente funcionam.

É quase como não aceitar “porque Deus quis” como resposta a um inocente “por que o céu é azul?”.

E, ainda bem, eu tinha quem me ajudasse a responder.

Mas nem todo mundo tem essa sorte. A grande maioria das pessoas não puderam contar com respostas mais satisfatórias que a vontade divina, ou, perderam aquela curiosidade infantil muito rápido (ou nunca a tiveram, vai saber) e nem se interessaram em perguntar “por que o céu é azul?”. E, infelizmente, a maioria dessa maioria citada acaba por crescer e não saber o que , de fato, é a ciência, ou a Física.

Sugiro uma pesquisa básica na nossa amiga Wikipedia:

Física é a ciência que estuda os fenômenos naturais, ou seja, tudo o que ocorre ao nosso redor. Trata dos componentes fundamentais do Universo, as forças que eles exercem e os resultados destas forças. O termo vem do grego φύσις (physis), que significa natureza, pois nos seus primórdios ela estudava, indistintamente, muitos aspectos do mundo natural.

Porém muito da essência se perde. No ensino médio, por exemplo,quando o adolescente geralmente tem o primeiro contato com a Física, ela é mostrada como uma seqüência de fórmulas e equações que você precisa decorar pra resolver exercícios, tirar nota e passar de ano. Nos três anos do Ensino Médio tive dois professores que, infelizmente, quase me fizeram desistir da faculdade. Conheci bastante gente que achava aquilo chato e, principalmente, inútil. Posso apostar que, da minha turma de ensino médio, ninguém se sentiu minimamente seduzido a ver com atenção o que realmente aquele livrão volume único tentava ensinar.  No cursinho os professores são mais legais, imagino que lá a Física possa ser mais ‘bonita’.

O buraco é mais embaixo, eu sei. Pouca gente realmente lê, gosta de pesquisar e gosta de pensar. Não é só o ensino falho de Ciências que é culpado disso. Existe um grande problema cultural, que acaba gerando uma quantidade grande de pessoas com falhas no senso crítico, com problemas no uso da razão.

E se aproveitando dessa falha, religiões  e seitas pseudo-científicas tem se difundido com uma rapidez grande.

A comunicação entre quem estuda ciência e quem acredita em fenômenos escorados em argumentos científicos duvidosos fica cada vez mais difícil. Pessoas com pouca educação científica encontram em seitas pseudo-científicas aquele consolo que praticamente todo ser humano procura. E as seitas crescem. As pessoas se satisfazem com argumentos duvidosos, acreditam neles. Acreditam de ter fé, mesmo.  E de pseudo-ciência o mundo está cheio, acredite.

Em época de O Segredo e Quem Somos Nós? estudar Física Quântica é super normal. Mas ainda  torcerão o nariz quando alguém vier contar que escolheu fazer Física (não, não Educação Física!) na Universidade.

Post para Promoção O Andar do Bêbado – Leonard Mlodinow, dA Grande Abóbora.

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6 Responses to “Sobre Ciência, Física e essas coisas…”

  1. Pessoas com pouca educação científica encontram em seitas pseudo-científicas aquele consolo que praticamente todo ser humano procura. E as seitas crescem. As pessoas se satisfazem com argumentos duvidosos, acreditam neles. Acreditam de ter fé, mesmo.

    E isso ocorre dentro da universidade mesmo… basta conhecer alguns professores e colegas meus do curso de Economia…

  2. Opa (Mah?*)

    Como todo mundo sabe, educação (e educação científica) é um problema no Brasil e em outras partes do mundo e, em geral, faz-se sempre um diagnóstico simplista: A culpa é do professor, da Escola, dos pais, etc…

    Eu só lembrei disto porque muitos dos problema do ensino de física vão além da possibilidade do professor intervir, só pra ficar num exemplo: Programa.

    Salta aos olhos que se nossos programas fossem menores haveria mais flexibilidade para que os professores pudessem criar situações de aprendizagem (e não de ensino) e, assim, os estudantes pudessem perceber a dor e a beleza de aprender.

    Isto não tira a culpa de professores que transformam suas aulas em mera exposição de fórmulas…. mas satanizá-los como os únicos culpados por isso é, também exagero.

    50% dos problemas educacionais seriam reduzidos se ensinássemos menos e propuséssemos mais projetos de aprendizagem.

    abs

  3. 3 João Guilherme

    Parabens pela promoção! xD

    o texto do seu concorrente parece ser muito bom, pena (ou sorte) ele ter sido o unico, xD

    estou morrendo de preguiça (e sem tempo) de ler o seu, mas eu prometo que eu leio, xD

    Abraço!

  4. 4 Jackson

    Ei, Marina!

    acho q a grande maioria q leu seu blog deve ser pelo menos da área de exatas, né?! rsrs ninguem vai discordar* do q disse.
    Entao, acabo de terminar o mestrado em física e já são 6 anos e meio escutando: “física?! educaçao-fisica, né?” hauhauahuahua
    A física é encantadora e vc se engana ao dizer q não somos excêntricos. Somos sim… rsrs quase arrogantes na verdade, já consideramos bons só de ter feito física… rsrs

    Abraço!

  5. 5 marina

    @Jackson
    taí isso é outro problema.
    Tem físico nojeto, assim como tem engenheiro, matemático, biólogo, filósofo ou qualquer outra coisa. Essa mania que o povo tem de achar que possui “o segredo do universo” é um saco.

    Espero não cair nessa durante a eternidade que vou ficar estudando física :p
    :*


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