a pequena solidão

29set09

O cobrador de ônibus, que puxava conversas leves com uma certa frequência, resolveu lhe contar que tinha descoberto o pior sentimento do mundo: a decepção. Ela ignorou. Ela sabia que era a solidão. Sempre soube. Tinha certeza que era.

O assunto tornou-se frequente. Cada vez que descobria a pior sensação do mundo, o pior sentimento do mundo ele lhe contava: impotência, ódio, raiva, medo. Certa vez resolveu perguntar o que ela achava:

—  É o medo… você não acha?

Enquanto olhava atentamente para uma nota que ele dera como troco ela resmungou qualquer coisa na esperança de satisfaze-lo. Ele ainda insistiu:

— E pra você, qual é o pior sentimento do mundo? Não é o medo?

Era a chance de dizer a verdade. Talvez fosse bom se, pra diminuir a decepção dele quando soubesse que estava errado o tempo todo, ela dissesse que afinal, era bom que ele não soubesse. Sinal que ele nunca tinha sentido o peso da palavra solidão. Mas ela não disse. Olhou a nota de novo, colocou no bolso. Fazendo pouco esforço disse:

— Sim, você tem razão. É o medo.

Foi até o banco vazio mais próximo, sentou-se e tirou a nota do bolso. Ali, à caneta, numa letra bagunçada e pequena, um pequeno recado. E ela se sentia menos só.

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3 Responses to “a pequena solidão”

  1. Lindo! *_*

  2. Vc faz parecer facil escrever como eu queria em blogs =P mas eh dificil =( por isso desisti da ideia e preferi ficar soh lendo o que vc posta =] hehehe

  3. Gostei bastante! =)


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