and she makes me feel like i’ve never been born

10mar10

Em 23 anos de vida ele nunca achou que tinha vivido o tanto que de experiências que julgava razoável pra pessoas da sua idade, mas isso nunca o incomodou verdadeiramente. Não existe um manual citando o que um jovem deve viver antes de se considerar um adulto com grandes experiências. A vida dele sempre foi relativamente fácil. Talvez por ter sonhos modestos. Bem criado em família bem estruturada, ótima educação, bom emprego. Sempre teve bons amigos e bons relacionamentos, que terminavam tão bem quanto um relacionamento pode acabar, naturalmente. Se você procurasse uma certa aventura talvez sentisse um tanto entediado vivendo em seu lugar. Mas esteve bem. não necessariamente feliz, sua conformidade natural com a vida não o fazia sequer pensar se aquilo era muito ou pouco satisfatório. se estava feliz. Ele só destinguia o bom do ruim e isso lhe era suficiente.
Em 23 anos de vida Lucas podia não ter muitas certezas, mas tinha pouquíssimas  dúvidas.
Depois de 23 anos vivendo conforme o plano, Lucas encontrou Juliana. Num desses dias comuns demais, eles se encontraram por acaso numa fila de supermercado. Juliana acompanhava Marcos, um dos grandes amigos da sua época de escola. Trocaram poucas palavras. Ele certamente a esqueceria. E poderia se dizer que a esquecera, já que duas semanas depois de conhece-la não lembrava sequer de seu nome quando ela, animada e simpática quase que excessivamente o abordou dentro do metrô: -“não sabia que você usava essa linha também, lucas”. Ela gostou quase que instantaneamente dele. Ele demorou algumas semanas para acostumar com seu jeito, mas já não conseguia viver sem.
Juliana falava rápido, tinha pressa de ser ouvida. Cantava a toda hora, dava risadas altas. Gostava de ler, ver filmes, de música, de cozinhar, de escrever, de aventura. Lucas não conseguia identificar o que ela vira nele, um jovem com espírito de velho. Mas isso não seria realmente importante.
Juliana gostava de surpreende-lo na saída do trabalho. Correr na chuva. Falar horas sobre acontecimento malucos de passado, e eram vários. ela devia ter, no mínimo 40 anos para ter vivido tudo aquilo, ele imaginava. Não podia ser possível que ela tivesse vivido tanto assim em 20 anos. Mas sempre que encontravam alguém ela pedia confirmações, não que ele duvidasse de verdade. Ele acreditava nela, sempre. Nunca passou pela cabeça dele que ela pudesse esconder algo dele.
Definitivamente ele vivera mais nos últimos 6 meses. Ele não sabia o quão legal os museus de sua cidade (que ele não visitava há muito) podiam ser divertidos. Ele não sabia que acordar as 5h pra uma caminhada num domingo chuvoso poderia ser bom. Ele não esperava que batessem a sua porta às 3 da manhã o tirando da cama pelo resto da madrugada. Ele não esperava por beijos entre as estantes cheias de livros da biblioteca. Ele aprendeu a adorar todas as centenas de lugares novos que visitavam. Ele aprendeu a amá-la assim como ela o amava.

Depois de dois meses de silêncio e tristeza ele resolveu a visitar. Ele sabia que para ela nada significava, ela nunca concordou muito com isso. Mas ele não poderia fazer mais nada. Sentia que falar com as paredes não ajudava mais. Durante o caminho se perguntou porque ela escondera dele. Comprou flores, meio desajeitado. A vendedora perguntou se era para presentear respondeu que sim porque não sabia o que falar. ela entregou um cartão, ele escreveu mesmo sabendo que Juliana não leria.
Andou pelos corredores estreitos e achou uma casinha simples. A nova casa de Juliana.
Deixou as flores, abriu o envelope e deixou o cartão junto as flores. Chorando lembrou de todos os bons momentos e dos ruins, das risadas e das discussões que terminavam em noites memoráveis de desculpas. E finalmente entendeu porque ela não o contara nada. Talvez se ele soubesse que ela partiria não teria dado uma chance.
Saiu do cemitério com a certeza que seguiria vivendo como ela esperava que ele vivesse.

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4 Responses to “and she makes me feel like i’ve never been born”

  1. doído!!

  2. muito bom!
    saiu da sua cabeça?

  3. caralho to chorando!
    ASHUAushaUHSUHauhsaSUH deve se pq eu to locão. so pode! aSHUUHAusuaUS

    esse cara é muito parecido com meu irmãozinho, brisei ele perdendo a namorada dele! ahhhhhhh brisei!

    parabens pelos seus textos, vc escreve demais, so seu fã, ja li seu blog inteiro e acho que vc deveria publicar um livro, e quando vc fazer isso me avise que eu vo compra uns par!

    bjo!

  4. Oii Marina! axeii muito legal seu bloog! vo seguir e indicar um selinho pra você !
    passa lá no meu depois e pega seu selo! *-*
    beijos


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