sem maiusculas, sem acento e cheio de reclamacao

08jun10

final de semestre é uma chatice sem fim. final de semestre em que as notas estão abaixo da média é o desespero. to num ponto em que ou eu largo uma disciplina pra focar na outra, ou acredito em milagres. milagre. primeiro eu aprendi que milagre é uma dessas coisas que vai contra as leis da natureza e ponto. depois consertaram me dizendo que a gente chama de milagre aquilo que não consegue explicar com as leis que são sabidas quando ocorre o evento. mas agora isso não tem importancia, tanto faz. eu nunca botei fé em milagres, mas to precisando de um. é aquela coisa de falar que ateu vai rezar pra deus quando estiver num avião caindo. esse é o meu avião caindo, e eu to rezando (mesmo que não seja ateia). então pronto, eu acredito em milagres.

e eu tenho certeza que acredito em milagres quando acho que vou passar uma semana sem tomar algum analgesico. mas a vida existe, e a vida me deixa doente. acho legal pra caramba estar viva, não estou reclamando disso. to reclamando dessa coisa de ter que fazer coisas normais além de estudar. comer, dormir, ler, escrever, falar com pessoas, dar risada, pegar onibus, pagar conta, pegar fila, tomar cuidado para não cair no vão entre o trem e a plataforma, falar pra quem eu to com saudade que eu sumi mas que eu to com saudade e vou voltar a aparecer – porque nunca se sabe o dia de amanha, e tomar banho, escovar os dentes, chorar um pouco, perder consultas e tentar não enlouquecer por pouca coisa. e eu sei, eu não trabalho mais, não precisam me lembrar disso agora.

na verdade em algum ponto eu perdi o controle e as atividades comuns da vida me atrapalharam a saúde, as vezes por falta, as vezes por excesso. minto, perdi o equilibrio entre as atividades saudáveis da vida e o estudo desesperado que me leva a lugar nenhum. sempre fui uma pessoa razoavelmente equilibrada, e eu sei que perder o equilibrio faz você cair da corda bamba. e agora além do citado nos paragrafos anteriores tenho que administrar dor de cabeça, dor de ouvido, dor de estômago e cólica. e tentar achar um médico que olhe na minha cara ao me atender, ou saiba pra que determinados remédios servem.

ai eu cheguei num ponto eu preciso ver com um OK as minhas tarefas diárias que devem estar devidamente anotadas na agenda. eu tentei o celular, mas aparentemente é mais fácil esquece-lo em algum lugar qualquer que esquecer a agenda-trambolho. então eu anoto tudo que tenho que fazer pra não esquecer, e pra me sentir minimamente responsável quando anoto OK ao lado de cada micro tarefa. agora, 16h30 e só teria OK ao lado de pegar fila, pegar onibus, e entrar em desespero. mas essas eu nem marco.

então eu acabei de ler os feeds e marcar um OK. não preciso lembra-los que ler feeds é sinonimo de marcar tudo como lido depois de meia duzia ne? mas fiquei mais feliz e disposta. fui estudar. fiz dois exercícios longos e chatos e fiquei feliz também, aí eu parei pra pensar num terceiro.

parei pra pensar. parei pra pensar, pensei, pensei e perdi o pensamento que acabei tendo uma ideia muito maravilhosa. precisava escrever antes que esquecesse. abri o bloco de notas, escrevi duas linhas e esqueci, mas continuei digitando só porque não ia voltar pro exercício antes da cafeteira ter terminado o café. e então eu cheguei a conclusão que eu até administraria muito bem os probleminhas citados nessa reclamação sem fim se eu parasse de pensar. porque é só eu parar pra pensar que eu paro e não faço mais nada.

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One Response to “sem maiusculas, sem acento e cheio de reclamacao”

  1. Não consigo deixar de pensar que tanta inquietação é a percepção de que essa ordem de coisas está errada (trabalhar irracionalmente, para consumir coisas que na maioria das vezes nem precisa, alimentada por uma ração envenenada por agrotóxicos e conservantes, com o pensamento castrado por um sistema educacional cego-surdo-mudo, restando como objetivo e expectativa na vida apenas procriar e gerar novos consumidores), somada a uma frustrante dificuldade de enxergar um meio de sair da manada, ir na contra-mão, ir na direção que quiser, e ainda assim se sentir parte de algo.
    Pensar trava. Sempre vai travar porque descortina a insignificância das bobagens que fazemos todos os dias, escancara a falta de sentido das nossas “tarefas” cotidianas, evidencia a falta de um propósito na nossa vida e joga na nossa cara que não estamos nos tornando pessoas melhores.
    Ôxa! Estou azedo, mesmo, hoje!
    Você escreve com muito sentimento. Parabéns!


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