cento e três rascunhos

02nov10

Não sei se me falta comprometimento, disciplina ou vergonha na cara, mas eu raramente termino algum texto de forma que eu julgue satisfatória. Geralmente acho um completo lixo antes mesmo de chegar ao final e guardo pra terminar depois, quando eu tiver mais cabeça pra coisa. Só que esse depois nunca existe. Aí talvez seja por puro apego à idéia, que nem sempre é boa, ou por ter dó e não querer ver todo o tempinho gasto digitando ser desperdiçado jogando o texto fora.
Não que isso aconteça sempre, eu até termino alguns. E esses alguns que mantém isso aqui. Mas há uns tempos nada que sai da minha cabeça me traz o mínimo de satisfação ao ler. Eu podia até citar as dezenas de motivos, mas não me sinto nem um pouco a vontade para tal. Nem ninguém gostaria de ler. E nem sei se eles me justificam.
Há alguns dias eu resolvi reler coisa ou outra e entendi melhor como funciona essa coisa de apego às ideias. Tem um bom começo sobre ateísmo, tem sobre furacões, tufões, tornados e ciclones (com maior cara de guia “entenda o que é o que e pare de passar vergonha perto de gente chata que nem eu”), até alguma coisa sobre tipos de nuvens num contexto todo fofinho, tinha minha opinião sobre o ensino público, até uma justificativa toda bonita sobre meu não apoio ao PSDB, tem uma série de desabafos e algumas quase-crônicas que poderiam ter sido ótimas mas nunca foram. Até rascunho de email que nunca vai chegar. Tudo inacabado. Tudo parado aqui e ali esperando por um acesso de vergonha.

E aí, só nesses meses de falso-silêncio, fiz passar de 100 o número de rascunhos. Quando vi 103 parei de vez. Até esse.

Há mais de uma semana guardo um centésimo quarto rascunho que só diz sobre minha incapacidade de terminar o que comecei, sobre quão terrível eu começo e sobre alguma outra coisa que não tinha muita relação com o contexto. Hoje eu resolvi parar com isso. Precisei de um final de semana perto de pessoas queridas, um monte de abraços e alguma vergonha na cara pra perceber que, o que quer que estivesse de errado, eu já posso escrever de novo. Dia desses, no meio de um almoço cheio de chororo e risadas eu disse pra Fer, num tom maravilhoso de brincadeira: “To de volta“.

Acho que é exatamente isso.

 

[Do centésimo quarto rascunho só o título foi aproveitado – esse]
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2 Responses to “cento e três rascunhos”

  1. 1 Arthur

    http://feedproxy.google.com/~r/Workawesome/~3/B7DeJkW7Slg/
    e
    http://feedproxy.google.com/~r/Workawesome/~3/7K2acAQmugo/

    Além disso eu tinha lido em mais algum sobre “criticar mais tarde”, tipo, terminar o que está fazendo, ir até o fim e aí analisar se ficou bom, se pode melhorar e etc. E se mesmo assim a coisa nunca fica suficientemente boa para ser publicada, existe o exercício de diminuir as metas, começar mais baixo e ir lançando criações de menor qualidade mas mais regularmente, afim de “pegar no tranco”.

  2. 2 Arthur

    Pra completar, saiu esses dias;
    http://webinsider.uol.com.br/2010/11/08/como-escrever-para-internet-em-10-dicas/

    Não serve exatamente para textos de um blog pessoal, mas são dicas que podem fazer com que seus textos cativem mais leitores.


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