tagarelice

18out11

A melhor parte de não ter filtro é ter vergonha.

Eu basicamente tenho vergonha de 50% das coisas que eu falo. (do restante, pelo menos 30% tem o combo vergonha+arrependimento+culpa). E o grande problema é que eu falo demais. O tempo todo. Sobre qualquer coisa. Inevitavelmente eu vou dizer algo errado. Algo vergonhoso ou algo desnecessário.

Então eu to lá com meus amigos em volta da mesa, todos falando, todos felizes. Falamos de peitos, roxos, perseguida, cachorros, designers, héteros, crianças, problemas, viagens, almoços, japoneses, bombeiros… tudo bem, tudo normal. Mas aí eu digo algo. E, claro, no momento que a frase sai da minha boca eu to me sentindo uma pessoa horrível. “caralho que vergonha. por que eu disse isso?”. E o chão se abre sob meus pés, meu estômago vira do avesso, meudeus meudeus o que eu acabei de falar? Ninguém percebe.

Ou será que tá todo mundo fingindo que tá tudo bem mas percebeu e tá gargalhando por dentro? Porque não importa que sejam meus amigos na mesa e que todo mundo me conheça bastante bem pra saber que eu sou assim, que eu falo merda, que eu sou péssima tagarela e sempre falo demais.

Mas a conversa segue naturalmente. Pra todo o resto da mesa, claro. Eu ainda to preocupada com o que eu disse. “será mesmo que ninguém notou?” Ao mesmo tempo minha atenção está na conversa deles, “eu preciso falar alguma coisa inteligente agora”. Não precisa ser inteligente INTELIGENTE. Só algo que não me mate de vergonha de novo, que me faça parecer legal. Não uma completa palhaça. Ou uma criança retardada. Ou uma pequena vadiazinha. Ou uma tonta boba viadinha. Muito difícil. Muito difícil.

E nessa situação claro que eu não vou falar algo normal. Pensa em toda pressão que eu to me colocando pra ser uma pessoa normal e não passar mais vergonha. Eu não funciono tão bem sob pressão quanto eu gostaria. Nessas horas eu faço a única coisa que eu sei fazer muitíssimo bem: sentir vergonha. E então eu falo qualquer outra coisa que imediatamente faz com que eu queria me esconder embaixo da mesa.

A noite é agradabilíssima e parece que ninguém tá com vergonha de ser meu amigo. Ok, me saí bem. Mas aí eu chego em casa e to fingindo que não ligo pra maior ‘declaração de amor’ que eu já fiz SEM PERCEBER. E regulo no “eu te amo” (eu, a louca do eu te amo), e disfarço o boa noite.

e olha, já to com vergonha de todas as linhas anteriores. ou eu aperto o publicar logo ou

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One Response to “tagarelice”

  1. “Boca suja! Sem vergonha! Sem vergonha!” SANTOS, Silvio


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