da dor nas costas

28nov11

Vinte anos na cara e oitenta na coluna. Essa tem sido a minha vida esse ano.

Começou levinho, uma dor que aparecia forte uma ou duas vezes por mês e sumia magicamente. Comecei a preocupar quando deixei aniversário de amiga cedo demais, não compareci no combinado depois com outra amiga (um asteroid, umas bebidinhas e umas dancinhas) e fiquei a noite toda na cama chorando de dor. Aí passou e só apareceu de novo no outro mês.

Aí chegou o segundo semestre, o desemprego, a física experimental, as dores. As dores aumentaram significativamente com o meu emocional balançando mais. Com as tpms mais severas. Com as discussões quase constantes em casa. Com as vontades de desistir de tudo porque mimimi minhas notas de lab são muito baixas mimimi nunca vou terminar a faculdade mimimi EU PRECISO DE GRANA PORRA. Reduzi as tpms com comprimidinhos mágicos e uma tentativa absurda de melhorar a alimentação. To tentando me incomodar mais e “viver mais o momento” (o que, pra mim, só significa que eu tenho estudado pra caralho e ainda me ferrado absurdamente). Mas foi tarde demais.

Em algum momento o “probleminha das costas” virou um problemão, ganhou radiografia, tomografia, nome e umas receitas novas de remédio. Nenhum funciona, a não ser pra dar sono. Eu reclamo, reclamo, mas eu tenho total e completa consciência de que nem é um problema tão grave (você já viu alguém parar de andar por causa de hérnia de disco?) e, bom, é culpa minha (eu cuido tão bem da minha postura e faço tantos exercícios quanto meu peixinho hoje em dia [1]).

O negócio é que dói mais quando a vida fica mais dura.

É como o velhinho com reumatismo que fala “ó, o tempo vai mudar” (e costuma mudar mesmo) porque sentiu uma dorzinha aqui ou ali. Só que comigo não tem relação nenhuma com pressão atmosférica, temperatura, umidade relativa e essa coisa toda. Tem só relação com a pressão que tá pra cima de mim (que, muitas vezes, só eu que coloco), com a bagunça que fica a vida, com as crises em relacionamentos, com as contas pra pagar, com o relatório pra entregar…

É esticar o braço pra mexer no ociloscópio, já brava porque demorou muito pra eu entender “que é pra fazer mesmo?” e porque o tempo tá acabando e não dá pra reservar a bancada pra próxima hora, que dói. E eu grito de dor, e tudo volta ao normal. É tentar balançar a perna freneticamente embaixo da mesa pra passar o nervosismo da discussão que dói. E eu grito de dor, pareço retardada, acabo com a discussão e morro de vergonha. É estar no final de semestre que dói. O TEMPO TODO. É ter coisa chata rolando e cada vez que me perguntar “que eu faço pra resolver agora?” sentir a perna toda esquisita e a dor lombar dando um oi tímido. Só pra lembrar que tá ali.

Então eu acordo com dor, vou tortinha pro ponto, não durmo no fretado por falta de posição, e porque tá doendo tanto hoje?  ontem eu nem fiquei jogada toda torta no sofá durante horas. ontem tava doendo, e doeu, muito, mas e agora que que eu fiz? Meia hora depois e eu já sei porque tá doendo.

É o tempo virando e meu reumatismo de velhinho avisando.

 

[1] meu peixinho morreu, duas semanas depois de virar meu.

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2 Responses to “da dor nas costas”

  1. 1 Paula

    Já tentou fazer Pilates??? Dizem que é bom…
    Acho que estou precisando tb!! :P
    Melhoras pra ti!

  2. Em tempo, meus pêsames pelo peixe =(


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